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Acidente ou Sabotagem ?

As Versões do desastre.

Durante anos as investigações sobre o que realmente ocorreu na Usina Nuclear de Chernobyl levantaram inúmeras suspeitas. O governo soviético claramente nunca assumiria uma falha em seu maior empreendimento de geração de energia, então surgem as teorias.

1. Está na Bíblia


Se você conhece o Livro do Apocalipse, provavelmente se lembra da passagem que menciona os quatro cavaleiros que preditam o fim dos tempos. "E o terceiro anjo tocou a trombeta, e uma grande estrela caiu do céu, queimando como se fosse uma tocha (...) e a estrela se chama Absinto." Talvez você não saiba, mas a palavra em russo para "absinto" seria "chernobyl". Teria a Bíblia previsto a catástrofe, uma vez que os bombeiros presentes na missão relataram que os incêndios do reator queimavam como tochas?

Fonte: Lyam Daniel/HBO/Reprodução: The New Yorker



2. Espiões norte-americanos


Possivelmente, você ouviu falar sobre a minissérie baseada no acidente, que foi lançada pelo canal HBO há pouco tempo. Pois a Rússia pretende produzir uma série similar; a diferença é que nela os verdadeiros culpados pelo acidente teriam sido espiões norte-americanos, que estariam por trás da explosão, em uma tentativa de sabotagem orquestrada pela CIA em plena Guerra Fria. A teoria não foi desmentida, já que muitos russos relataram a presença de um agente da inteligência inimiga em Chernobyl, no dia do acontecido.

3 - O que os documentos oficiais dizem:


O desastre de Chernobyl foi ocasionado por uma sucessão de erros humanos e violações de procedimentos de segurança. No dia 25 de abril de 1986, durante um desligamento de rotina, os técnicos da usina realizaram um teste no reator Chernobyl 4. O teste consistia em determinar quanto tempo as turbinas eram capazes de girar após uma queda abrupta de energia. O teste em questão já havia sido executado no ano anterior, quando se percebeu que as turbinas haviam parado muito rapidamente. Para resolver isso, novos dispositivos foram instalados ao longo do ano e precisavam de testes.

O operador da usina cometeu alguns erros cruciais durante o experimento, como a desativação do mecanismo de desligamento automático do reator e o desligamento de quatro das oito bombas de água que o refrigeravam. Quando o operador percebeu o estado em que o reator se encontrava, já era muito tarde. A reação nuclear já estava extremamente instável, e a quantidade de energia que ele produzia já ultrapassava 100 vezes a sua potência usual.

Os técnicos da usina decidiram que era necessário bombear gás xenônio para o interior das varetas que continham as pastilhas com cerca de 210 toneladas de urânio-235, já que esse gás tem a capacidade de absorver os nêutrons emitidos pela fissão nuclear. A instabilidade do reator tornou impossível o controle da fissão exclusivamente pelo uso do xenônio. Dessa forma, hastes contendo o elemento boro foram inseridas manualmente, para frear a emissão de nêutrons, porém, quando inseridas, as hastes expeliram certo volume de água do reator, consequentemente, a água restante sobreaqueceu e evaporou, expandindo-se violentamente.

As consequências do acidente de Chernobyl foram profundas, sobretudo para três países: Ucrânia, Bielorrússia e Rússia, todas as três antigas repúblicas da União Soviética. Nas questões políticas, o acidente de Chernobyl reforçou as medidas do governo de Mikhail Gorbachev (então presidente da URSS) de realizar o desarmamento nuclear da União Soviética.

Além disso, o acidente também contribuiu para o fim da União Soviética. Isso ocorreu porque houve impactos econômicos pesadíssimos para a União Soviética, uma nação que se arrastava em uma crise econômica desde a década de 1970 e que viu sua situação agravar-se na década de 1980 com a Guerra do Afeganistão (1979-1989) e o acidente nuclear.

Em questões ambientais, o acidente de Chernobyl foi algo sem precedentes desde que o homem começou a manipular materiais radioativos. Acredita-se que de 13% a 30% do material radioativo do reator 4 tenha sido lançado na atmosfera e, desse material, cerca de 60% dele concentrou-se no território da Bielorrússia.

A Bielorrússia, por sinal, foi o país mais afetado pelo acidente de Chernobyl. Cerca de 23% do território bielorrusso foi contaminado e, com isso, o país perdeu cerca de 264 mil hectares de terras cultiváveis por conta da radiação. Além disso, ¼ das florestas bielorrussas foram contaminadas e, atualmente, entre um e dois milhões de pessoas vivem em território contaminado.

O governo bielorrusso, inclusive, estimou que, entre 1986 e 2016, o prejuízo econômico causado pelo acidente de Chernobyl foi de, aproximadamente, 235 bilhões de dólares. Somente o governo bielorrusso gastou cerca de 18 bilhões em medidas emergenciais causadas pela disseminação da radioatividade.

No caso da Ucrânia, 7% de seu território foi afetado; no caso do território russo, 1,5% foi atingido. O impacto do acidente na economia desses países foi gigantesco. Até 2006 o governo ucraniano gastava de 5% a 7% do orçamento do país com despesas relacionados a Chernobyl. Já a Bielorrússia, somente em 1991, gastou cerca de 22,3% do orçamento do país com consequências de Chernobyl. Esse número foi reduzido para 6,1% do orçamento anual em 2002.

As estimativas feitas por cientistas apontam que a região de Chernobyl deverá permanecer inabitada por até 20 mil anos até que se torne segura para a habitação humana. Apesar disso, existem evidências que apontam que algumas pessoas voltaram a morar na chamada “zona de exclusão”.

A cidade de Pripyat, local no qual estava a instalação, foi abandonada e hoje é uma cidade-fantasma. Passados mais de trinta anos do acidente, as imagens mostram que a natureza retomou seu espaço na cidade abandonada. Existem evidências que apontam que a quantidade de animais presentes na zona de exclusão aumentou consideravelmente por causa da pequena presença humana.

Logo após a explosão, o governo soviético organizou uma comissão para descobrir as causas do acidente. Um julgamento foi realizado na cidade de Chernobyl (também uma cidade-fantasma como Pripyat), e seis pessoas foram julgadas pelo acidente. Dessas, três foram condenadas a dez anos de prisão:

Viktor Bryukhanov, Nikolai Fomin e Anatoly Dyatlov.

Bryukhanov e Dyatlov cumpriram cinco anos de prisão e foram anistiados. Bryukhanov reside atualmente em Kiev, e Dyatlov morreu em 1994 em consequência da exposição à radiação. Fomin teve um surto mental e tentou matar-se, sendo depois transferido para uma clínica psiquiátrica.

Fonte: Vozes de Tchernobyl - ALEKSIEVITCH, Svetlana. Vozes de Tchernóbil: a história oral do desastre nuclear.

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