• Gabriel Cordeiro

1# ORDEM DOS VENATORES

Conheça mais sobre esse universo de vampiros e demônios lendo com exclusividade o primeiro capítulo do livro Ordem dos Venatores de Gabriel Cordeiro


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Era o dia da minha iniciação e, por um momento, era somente isso que importava. Naquele dia, não dei atenção aos meus afazeres, não tive nem um pingo de vontade de ir para meu curso mesmo este sendo bastante importante para meu objetivo de trabalhar no Pet Shop, porém, mesmo assim, fui. Aliás, se eu queria ter uma vida normal quando não estava treinando para matar vampiros teria que me dedicar a alguma coisa. Cuidar de animais fora meu foco.


Com a mochila pendurada em um ombro só saí do Pet Shop, dando de cara com a Avenida Francisco Falconi escura e não muito movimentada. Me cobri com o capuz e segui retilínea pela calçada enquanto ouvia meus fones explodirem uma sinfonia pesada e metálica ao último volume. O som da Banda Skillet sempre fez bem ao meu consciente. Em treinamentos era ela quem eu escutava para criar uma motivação extra enquanto arremessava estacas contra sacos de areias pendurados por cordas presas no teto. Com a música eu tinha mais chances de acertar e me sair bem-sucedida nos treinamentos impostos por Richard, meu mentor de batalha e tutor legal. Porém, enquanto saia de meu trabalho para retornar a minha moradia que, por sinal era longe pra caramba, não tinha intenções de ouvir uma música pesada. No fim das contas dei de ombros, pois Forsaken se mostrou bastante condescendente ao meu estado de euforia. Chegando no museu eu seria nomeada uma das Caçadoras da Ordem dos Venatores e então, caçar vampiros seria meu foco dali pra frente.


A Ordem era composta por três Caçadores sem contar comigo, é claro. Somos um grupo focado na destruição de raças noturnas. Geralmente esse legado é passado de pai para filho, mas infelizmente, isso não ocorreu no meu caso. Meu pai não fora um caçador e muito menos minha mãe. Eu não os conheci. Há anos, fui deixada aos cuidados de Richard quando criança em uma noite qualquer por um casal desesperado. Ele diz que os mesmos foram vítimas de sugadores de sangue logo depois… Que estavam fugindo e mesmo com a tentativa do Venator de salvá-los não houve sucesso. Mesmo não obtendo respostas necessárias eu cedi as suas revelações e não me importei em meu crescimento ao seu lado. Richard se mostrou um pai e tanto para mim, assim como os Caçadores se mostraram perfeitos irmãos. Eram funcionários do Museu de dia e Caçadores de Vampiros à noite quando o mesmo ficava vazio. E isso era legal… Isto é, até que mais responsabilidades caíram sobre meus ombros. Como não era iniciada, não poderia caçar, uma vez impossibilitada, meu serviço se resumia em treinar, trabalhar, treinar e trabalhar mais.


No começo, Richard não achou nada legal que eu trabalhasse fora do Museu… Longe de suas mãos, mas quando os dias comigo fora revelaram-se menos preocupantes para os demais, logo parou de se importar e me deu liberdade com uma exceção: Caso eu avistasse um mísero vampiro sequer, não interferiria em seus planos. Arrumaria uma forma de avisá-los e iria para um lugar seguro até tudo se resolver. O fato era que isso seria impossível de controlar. Eu era criada para caçá-los, já tinha treinamento o suficiente para combatê-los, mas, ainda assim, era proibida de lutar. Se essa noite não fosse a minha iniciação – só para prová-los do contrário – lutaria com o primeiro vampiro que aparecesse.


O Álbum Collide estava rodando em meus ouvidos. My Obsession ainda arrastava o mesmo estilo pesado da música que iniciara o álbum e eu já estava me aproximando do paredão do cemitério quando algo, do lado de dentro, impactou fortemente contra o muro. Parei. O que seria aquilo? Geralmente, jovens que se dizem fazer parte de seitas vão para dentro do cemitério a fim de realizarem rituais a entidades de sua fé, mas nenhuma seita poderia fazer isso com um muro. Rachá-lo com tanta facilidade? Ergui minha mão e olhei para meu relógio de pulso. Beirava as 20h e a noite se tornava mais fria a cada minuto. Vampiros? — indaguei, pensativa. — Vampiros às oito horas da noite?!


Enfiei meu braço esquerdo na alça da mochila e guardei meu celular no bolso. Minha mania de segurá-lo na mão enquanto estava ouvindo música ainda me renderia uma tentativa de assalto. Suspirei, olhando para o alto muro. Teria que pular para ver o que acontecia. Ok… Pensei comigo mesma. Não seria tão difícil. Dei algumas passadas para trás a fim de pegar impulso e, quase chegando no meio da avenida, corri, avançando para o muro enquanto outra faixa já gritava em meu cérebro. Fingernails.


Saltei alto. A distância para correr foi boa. Estiquei o braço ainda no ar e enganchei meus dedos no topo do muro. Eles estavam suados e assim escorregadios para confiar. Presos à beira, consegui com um pouco de esforço me erguer sobre ele. Permaneci agachada, com as mãos fixadas com força para não perder o equilíbrio e fitei dentro do cemitério o que acontecia. Meu olhos arregalaram e precisei tirar o fone de ouvido em pleno refrão para focar todos meus sentidos na desgraça que se prolongava.


— Vampiros… — murmurei assustada demais para admitir que eram eles, os malditos sugadores de sangue que atuavam naquele teatro de horror e insanidade.


Saltei para dentro do cemitério, tendo que dobrar meus joelhos para amortecer a queda sem fazer muito barulho. Eram muitos vampiros. Eles cercavam alguma coisa que eu não tive o prazer de descobri o que era. Talvez, algo ameaçador. Torci para que fosse alguém da Ordem. Vampiros atacando cedo demais com toda certeza chamaria a atenção de Richard e como o cemitério se encontrava ao lado do meu local de trabalho era mais um motivo para preocupá-lo. Arranquei minha mala das costas e a abri com desespero. Richard me proibira de lutar contra vampiros, mas não de carregar uma estaca dentro da bolsa, afinal de contas, ladrões também poderiam ser feridos com estacas.


Os rosnados logo atingiram um alto nível que tomaram todo local onde estávamos. Nem mesmo o farfalhar das árvores tinham vez. Então, do meio dos vampiros um ríspido fio de luz alaranjado iluminou o canto escuro onde eu estava. Aquilo não era obra de nenhum Venator que eu conhecia. Acompanhei a luz que se movimentava e rapidamente um homem encapuzado tingiu meu olhar enquanto lutava com aquelas bestas infernais. O fogo se originava de algo que ele segurava. Não consegui ver o que era, mas fiquei impressionada ao ver que as chamas não o queimavam. O homem cravou a coisa em sua mão no peito de um vampiro, virando logo em seguida para decepar o outro que vinha por suas costas. Ele era ágil, rápido e parecia forte, mas até mesmo esses privilégios cediam quando o cansaço tomava conta do corpo. Seguiu, chutando um terceiro e mandando-o para longe. Para perto de mim. E quando olhei para meu lado, talvez se eu não tivesse tão enganada… E na verdade não estava, encontrei uma poça de sangue ainda fresco que molhava a grama e penetrava na terra lentamente. Um vampiro pós-morte. Enganchei outra vez meus fones em meus ouvidos e fui banhada pelo finalzinho do álbum da banda com a música Cycle Down. Foi mais que o suficiente para me fazer agir. Não o deixaria morrer no meio de tantos vampiros. Apertei a estaca em minha mão quando o vampiro que o homem chutara para perto de mim se levantou atordoado. Olhou para meus olhos. Sorri para ele.


O maldito expôs suas presas que mais se assemelhavam as de cobras peçonhentas e, curvado enquanto urrava e babava, voou para minha direção. Ele tentou uma investida ao atacar-me com uma braçada. Sorte minha conseguir desviar, caso contrário o maldito arrancaria meu braço com suas garras negras. Esquivei para o lado, chutando sua barriga. Tive o tempo resumido em segundo para atacar quando ele se afastou coisa de dois passos. Infelizmente eu não tinha o chute tão forte quanto o do encapuzado. Olhei rapidamente para a estaca em minha mão e a coloquei em riste ao mesmo tempo que ele atacou novamente. Rise já explodia em meus ouvidos com sua letra “revolucionária” quando fechei os olhos e cravei a estaca em seu peito. O monstro balbuciou ao tempo que cambaleava para trás com as mãos em volta da estaca. Olhou para mim com sua expressão de nojo.


— Desgraçada…


Virei de costas quando ele explodiu em sangue.


Voltei minha atenção para o campo de batalha que ainda era presente lá na frente. Meus olhos captaram outra coisa muito superior aos vampiros. Quem era aquele? Era um humanoide estranho. Parecia ser muito velho e, tecnicamente, um pouco apodrecido pelos bichos da terra. Tinha sua pele cinza, mas em compensação, portava garras enormes e olhos mais negros que o normal. Os dele não brilhavam vermelho e sim banhavam uma escuridão sem vida. Desfoquei neste quando o encapuzado avançou para cima dele com a mão em punho. Ele morreria. O vampiro estranho agarrou a mão do homem de preto e jogou seu braço para o lado. Riu e isso eu vi de longe. Era um riso sarcástico e cruel… Talvez um pouco prazeroso pela situação. Este disse algumas coisas as quais eu não consegui identificar. Agarrou o pescoço do encapuzado e o ergueu com tamanha facilidade. O homem já fraquejava notavelmente. Estava ferido. Os vampiros conseguiram rasgar sua camisa, arranhando sua pele que cuspia sangue humano. Ele suava muito, indicando cansaço. Nem conseguiu fitar a face da besta que o segurava.


O vampiro curvou o pescoço sentindo o cheiro do homem e pareceu gostar do que encontrou. Com a outra mão, já arquitetava com suas garras um possível ataque que arrancaria a cabeça do encapuzado. Neste momento, agachei e recuperei minha estaca que estava encharcada de sangue imortal. Ergui-a com meu braço e mirei. Deveria tentar alguma coisa. Mordi o lábio me concentrando. O vampiro estranho apertou mais o pescoço do homem, fazendo-o buscar ar desesperadamente. Quando semicerrou os olhos para atacá-lo eu lancei minha estaca. A mão do vampiro desceu contra a cabeça do homem, mas suas garras pouco fizeram o tão esperado contato com a face humana, pois minha estaca perfurou a mão ossuda da coisa. Ele urrou dolorosamente. Rodou o campo permeado de túmulos a procura de alguém. Até que me encontrou atrás de uma fina árvore. A fera expôs suas presas e rosnou parecendo mais furioso.


Foi ali que eu percebi que estava ferrada!


SINOPSE:

Um grupo de caçadores. Um exorcista nada convencional. Uma garota predestinada a matar vampiros. A Ordem que de dia é Museu e de noite se encontra nas sombras de uma catacumba recheada de ossos de criaturas mortas deve impedir que um demônio necromante transforme a terra no seu próprio inferno.


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